QUE SERIA DE MIM SE TIVESSE FICADO EM CASA?
Difícil foi chegar aqui.
A este momento da vida.
A este lugar do mundo
.Ao alto desta montanha.
A este espaço escondido dentro de mim.
Porque foi
dentro de mim que tudo começou.
Quando pensamos em alcançar alguma coisa,
há uma pequena voz a sussurrar-nos que é por ali e,
se escolhermos obedecer a esse impulso, começamos,
passo a passo, a fazer caminho.
Quer se trate de largar uma dependência, de pedir
perdão ou de escalar uma montanha.
Deixamos as pegadas na neve, na areia,
ou no coração de alguém e seguimos,
com os pés no chão e os olhos no céu.
Foi assim.
Fiz o caminho caminhando.
Não me senti maior que os outros, pelo contrário.
Apercebi-me de como sou pequeno perante a
imensidão da montanha.
Mas não desisti.
E o prémio recebo-o agora, aqui em cima,
a contemplar um universo azul de tão
branco, branco de tão frio, frio de tão vasto,
QUE SERIA DE MIM SE TIVESSE FICADO EM CASA?
Não teria conhecido o que é, para mim, o paradigma do
bem-estar
e da alegria:
o ter alcançado, pelo meu esforço e
sacrifício,
a realização de um objectivo ,
a concretização de um sonho,
o lugar intermédio entre o céu e a terra onde,
ao pôr-do-sol, nascem anjos.
de
Rosa Lobato Faria, do livro "O livro do bem-estar"





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